Nasceu em 1937, no Rio de Janeiro, e faleceu na mesma, em 1980, após sofrer um AVC. Em 54, iniciou, junto ao seu irmão César Oiticica, os estudos de pintura e desenho com Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio, ligado às experiências concretas e neoconcretas. Foi quando escreveu o seu primeiro texto sobre artes plásticas e tornou um hábito anotar reflexões sobre a sua produção. Até 59, manteve-se fiel aos veículos e suporte da pintura tradicional, mas cria relevos espaciais e penetráveis. Depois passa a produzir as Manifestações Ambientais. Ele participou da representação do Brasil na Exposição Internacional de Arte Concreta, realizada em 1960, em Zurique, na Suíça, e esteve presente nas coletivas de vanguarda Opinião 65 e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira, realizadas entre 1965 e 1967, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O artista também participou de algumas bienais de São Paulo e de uma na Bahia. Passou boa parte da década de 70 em New York, onde era bolsista da Fundação Guggenheim e participou da mostra Information, no Museu de Arte Moderna, o MoMa. Após a sua morte, foi criado o Projeto Hélio Oiticica destinado a preservar e divulgar suas obras. Entre 1992 e 1997, o Projeto realizou mostras em Roterdã, Paris, Barcelona, Lisboa, Mineápolis e Rio de Janeiro. Mas, em 2009, um lamentável incêndio na residência de César, seu irmão, destrói parte do seu acervo.
Dentre suas obras, destacam-se: o Parangolé, que é uma espécie de capa (ou bandeira, estandarte ou tenda) que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, texturas, grafismos e textos a partir dos movimentos de alguém que o vista. É, portanto, considerado uma escultura móvel. Para ele, "o espectador veste a capa, que se constitui de camadas de pano de cores que se revelam à medida que este se movimenta, correndo ou dançando". A obra requer a participação corporal direta - além de revestir o corpo, pede que ele se movimente, "que dance, em última análise”. Outra obra importante foi a Tropicália, que era um labirinto composto por uma arquitetura improvisada, semelhante às favelas, um cenário tropical com plantas características e araras. O público caminhava descalço, pisando em areia, brita, água, experimentando sensações e, no fim do percurso, se defronta com um aparelho de TV ligado, que é um símbolo moderno. Era uma posição ética diante da sociedade polarizada e repleta de contrastes. Segundo Hélio Oiticica, “a obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais”.
Tropicália
Parangolé


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